Os sinais de que a economia brasileira está se recuperando do baque causado pela crise financeira mundial fazem o presidente da Federação Nacional de Seguros (Fenseg), Jayme Brasil Garfinkel, acreditar que o futuro do mercado de seguros será promissor. Em Palestra do Meio-Dia da APTS, realizada em 15 de julho, no auditório da Escola Nacional de Seguros (Funenseg), em São Paulo (SP), ele traçou um diagnóstico da situação atual do setor, projetando um cenário futuro com muitas oportunidades de desenvolvimento para o seguro.
Na palestra nomeada como "Uma conversa sobre o mercado de seguro em 2009", Garfinkel mostrou números que reforçam sua convicção em tempos melhores. Nos seguros gerais, a arrecadação de prêmios evoluiu de R$ 25,4 bilhões em 2006 para R$ 32,3 bilhões em 2008, o que representa um aumento de participação na arrecadação global de 13% para 16,6%. Porém, a sinistralidade também cresceu nesse período, saltando de 8,7% para 15,5%. O volume de indenizações pagas pelo segmento de seguros gerais aumentou de R$ 12,9 bilhões, em 2007, para R$ 15,7 bilhões, em 2008.
Mas, Garfinkel observa uma tendência de maior penetração dos seguros gerais, cujo percentual de participação no PIB (desconsiderando capitalização e previdência) evoluiu de 1,08% em 2006 para 1,12% em 2008. Em termos globais, o Brasil, que detém em todos os ramos a participação de 1,6% do PIB, está atrás de países como o Canadá (3,8%) e Coréia do Sul (3,6%), mas está à frente do México (1,1%) e do Chile (1,4%). Em prêmio per capita esses números variam, porém ainda mantém o país mais bem colocado do que o México e a Índia. "O seguro brasileiro está ganhando musculatura", afirma.
Como presidente da Porto Seguro, seguradora líder no ramo de automóvel, Garfinkel não poderia deixar de citar o aumento da frota nacional como um indicador do bom desempenho da economia. Cruzando dados do IBGE com os da Anfavea, ele detectou que a produção de automóveis está crescendo mais do que a população. O aumento da confiança do consumidor, outro forte termômetro da economia, atingiu seu pico em março de 2008, com 120 pontos, mas, um ano depois, caiu para 96 pontos. Desde então, porém, está em linha ascendente, chegando a 106 pontos em maio de 2009.
A estabilidade econômica, do ponto de vista da queda de juros abaixo da meta fixada pelo Banco Central, está relacionada, na visão de Garfinkel, à estabilidade política. Ele acredita que esse cenário foi desenhado a partir da desistência do presidente Lula de disputar um terceiro mandato. Apesar do aspecto favorável da queda de juros, o presidente da Fenseg adverte quanto ao esperado aumento da sinistralidade e o seu impacto na redução das receitas do setor de seguros. Segundo as previsões para os seguros gerais, a sinistralidade que se manteve estável na casa de 60% em 2008, deverá fechar este ano em 62%. No ramo automóvel, o aumento será ainda maior: de 65% para 68%.
Oportunidades
Garfinkel enxerga no mínimo cinco oportunidades para o seguro se desenvolver. Uma delas é o microsseguro, que ainda depende, a seu ver, de incentivos para as companhias operarem. Nessa mesma linha, a proposta de um seguro de automóvel popular, segundo ele, ainda não vingou. "Há um ano a Susep recebeu essa proposta, mas continua analisando", lamenta. Na opinião do palestrante, o seguro rural continua sendo uma oportunidade para o setor, mas desde que o governo mantenha os subsídios. No âmbito da Fenseg, ele contou que surgiu uma proposta que pode ajudar na redução de perdas dos seguros patrimoniais. Trata-se do "Brasil sem chamas", projeto que estimula a formação de um corpo de bombeiros voluntários em diversas regiões do país.
O PrevSaúde e o PrevEducação, produtos de previdência que oferecem benefícios fiscais para os participantes que investirem os recursos em saúde e educação, são exemplos de boas idéias que, na visão de Garfinkel, demonstram que outros caminhos são possíveis. Por fim, a solidez do mercado, que serviu para reduzir os impactos da crise financeira, também representa uma oportunidade. Essa condição ele atribui ao Decreto Lei 73, "uma lei lógica que tornou o mercado sólido", disse. Ao final de sua apresentação, Garfinkel propôs ao mercado refletir sobre as oportunidades que a Internet pode trazer.
Depoimentos da platéia
"Não diria que o cenário apresentado pelo Jayme é otimista, mas realista, que reflete o momento atual do país. É um cenário bom que revela um espaço para o crescimento da indústria de seguros muito maior que o próprio país".
Alexandre Camillo - vice-presidente do Sincor-SP
"O Jayme é um estudioso, um pesquisador e observador do mercado. Por isso, suas palestras sempre trazem novidades, apresentadas com muita transparência. Ele é um grande empresário do setor e tem uma trajetória vitoriosa, que eu acompanho, já que sou, praticamente, uma cria do pai dele".
João Leopoldo Bracco de Lima - diretor da Funenseg-SP
"Agradeço a oportunidade de assistir essa palestra, proferida por uma mente brilhante, com uma carreira de sucesso comprovado ao longo dos anos, como empresário à frente de uma grande seguradora e, principalmente, na presidência da Fenseg. As informações e raciocínios que ele apresenta, parecem obvias no momento, mas nos fazem perceber que nunca havíamos pensado nisso. Também é muito bom perceber que temos um cenário positivo. Apesar do pessimismo geral, inclusive difundido pela mídia, ter um comandante do mercado segurador apresentando uma perspectiva positiva, nos anima".
José Roberto Macéa - diretor da Jopema