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  Segunda-Feira, 06 de Setembro de 2010
Debate da APTS analisa por que resseguradoras estão mais seletivas e exigentes     (APTS)

Segunda-Feira, 14 de Setembro de 2009 - 16h34

Márcia Alves

Nos últimos tempos, ganhou repercussão a queixa de seguradoras, brokers e segurados em relação à dificuldade de cobertura de resseguros para grandes e médios riscos. Atenta à situação, a APTS trouxe a questão para ser debatida por representantes do setor em Debate do Meio-Dia, realizado no dia 3 de setembro de 2009, em sua sede.  Coordenado pelo novo diretor-secretário, Carlos Barros de Moura, que também é diretor e consultor sênior da Barros de Moura & Associados, o evento contou com a participação do diretor da Catlin Re, Cid Carlos Andrade, que também é diretor de Resseguros da APTS; do diretor presidente da Swiss Re, Henrique Oliveira; do gerente de resseguros da ACE Seguros, Luiz Carlos Santos; e do presidente da Mexbrit Brasil Corretora de Resseguros, Roberto Gomes da Rocha Azevedo.

Falta capacidade ou condição?

O gerente da ACE, Luiz Carlos dos Santos, revelou que a companhia tem enfrentando problemas semelhantes aos das demais empresas do ramo, inclusive na adequação do seu contrato padrão ao mercado local. Ele reprovou a decisão de algumas resseguradoras de operar somente com contratos automáticos, dificultando a aceitação de facultativos, por meio de altas taxas e condições restritivas. Sua percepção é que a colocação desses contratos por meio de broker tem sido mais eficaz.

Henrique Oliveira duvida que o problema atual do setor de resseguros seja por falta de capacidade. Segundo ele, em 2008 o resseguro mundial produziu prêmios da ordem de US$ 201,5 bilhões, o que corresponde a 5% dos US$ 4,3 trilhões, produzidos pelo seguro no mesmo período. Entre 1990 e 2008, os resseguros não-vida, que representam 78% do total, cresceram 5,8% ao ano, e os resseguros de vida cresceram 10,2%. Por conta desse decréscimo financeiro nos resseguros não-vida é que, acredita, a subscrição de riscos está mais seletiva e conservadora em todo o mundo e também no Brasil.

Diante desse quadro, ele concluiu:

 - Entendo que não há falta de capacidade ou dificuldade de acesso. O que há, aparentemente, é uma deterioração dos números e, portanto, uma evidente piora dos resultados. Por isso, nós, os resseguradores queremos mais prêmios para poder suportar a carga já esperada de sinistro. Essa é uma reação econômica, são números.

 "Clube" de resseguradores

Representando Catlin Sindicate, um dos sindicatos do Lloyd´s, Cid Andrade analisou a questão a partir do modelo "protecionista" de mercado de resseguro adotado pelo país, que criou uma espécie "clube", define, com três formas de participação. Mesmo assim, 61 resseguradores se instalaram no Brasil, os quais somados aos aproximadamente 55 sindicatos, totalizam, por suas contas, cerca de 100 players. Na hipótese de uma revisão dessa regra, ele calcula que haveria entre dez e 15 eventuais que poderiam vir a operar no Brasil. Portanto, conclui que "o problema não é falta de capacidade de aceitação, mas exclusivamente de condições".

Ele ressalta, porém, que na interpretação do mercado essa falta de condição é vista como falta de capacidade. "O que é falta de capacidade? É não querer o risco ou aceitar sob determinadas condições?", questionou. "Porque é isso que está acontecendo", reiterou. Mas, ainda que o mercado conseguisse mais capacidade, Cid Andrade acredita que o quadro atual não se alteraria. "Isso não mudaria a recusa dos riscos que o mercado não quer e não altera o cenário que criamos, de taxas baixíssimas e condições amplíssimas", disse. "Logo, dizer que falta capacidade às resseguradoras é ridículo, não faz o menor sentido", arrematou.

Como broker, Roberto da Rocha Azevedo disse que sente os reflexos de todos os problemas atuais do setor de resseguros. Problemas esses que ele atribuiu, em parte, à falta de pessoal especializado nas empresas. "Durante 70 anos o subscritor das companhias era o IRB", disse. Ele observa que esse longo período de monopólio não foi aproveitado pelas companhias para investir na capacitação de seus profissionais. "Hoje, essas empresas não têm gente capaz de realizar análise, precificar riscos e calcular taxas", disse. Porém, ele acredita que não vai demorar muito para esse quadro mudar, apontando como um sinal o ressurgimento da atividade de atuário. "A tendência é que essas dificuldades sejam superadas. Mas, no momento é o que estamos sentindo", disse.

Depoimentos da platéia

"O resseguro é uma dos meios mais importantes para o corretor se relacionar com a seguradora. Isso porque, depende do resseguro a aceitação da seguradora. Se ela não tem um limite adequado não consegue fazer negócio. Hoje, vemos o mercado como um todo sem saber como agir em relação a esse problema. Por isso, o tema debatido neste evento deve continuar em pauta". João Urdiales Gongora - corretor

"Discutimos neste evento o despreparo que estamos sentido tanto por parte dos corretores, quanto dos seguradores na colocação de riscos classificados como altos em alguns ramos de atividades. Essa questão precisa evoluir, pois as seguradoras e os corretores precisam saber negociar a colocação de riscos especiais, que têm necessidades especiais, como o desenvolvimento de projetos de engenharia". Nelson Fontana - Corretora Fontana Lazam

"Em linhas gerais, o mercado todo está se adaptando, o que demanda maior tempo de preparação para a colocação, seja de contratos, seja de facultativos. Obviamente, essa preparação demanda informação e todos nós temos de nos adaptar aos novos prazos, por conta da maior ou menor complexidade dos riscos". Ricardo Mariano - Mapfre Re

"Vejo que a dificuldade atual é de adaptação ao novo mercado, no qual novas informações são exigidas. O momento atual é de transição, mas creio que em um ano ou dois o mercado estará adaptado e preparado às condições necessárias à aceitação de risco". Ivor Moreira - ACE Seguradora


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