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  Quarta-Feira, 08 de Setembro de 2010
APTS discute os muitos problemas que afetam a corretagem     (APTS)

Sexta-Feira, 19 de Fevereiro de 2010 - 15h39

Márcia Alves

Na palestra "Os temores do Corretor de Seguros", Pedro Barbato Filho elenca os problemas que mais afligem a categoria na atualidade, como a concorrência com bancos, lojas e outros e os atritos na relação com as seguradoras.

 

Muitos problemas têm afetado a atividade de corretagem de seguros, nos últimos tempos. Os corretores paulistas que o digam. Eles, principalmente, vivem momentos de incerteza quanto ao futuro da atividade. Quais são os problemas que tanto afligem a categoria? A resposta para esta questão foi apresentada pelo presidente da Câmara dos Corretores de Seguros do Estado de São Paulo, Pedro Barbato Filho, durante Palestra do Meio-Dia da APTS, realizada em 10 de fevereiro, quando abordou o tema "Os temores do Corretor de Seguros".

Barbato conta que sua palestra foi elaborada a partir de conversas com seus pares, em reuniões do mercado e em seu programa semanal de rádio. O resultado foi uma lista com mais dez questões "temidas" pelos corretores. No topo da lista, um problema comum: algumas seguradoras se recusam a cadastrar corretores de pequeno porte. "Isso é uma piada", diz Barbato. "Esse pequeno corretor poderá vir a ser um grande corretor, um dia, mas apenas se puder contar com o apoio das seguradoras", acrescenta. Não fossem as assessorias, que hoje representam e defendem os interesses desse grupo, ele acredita que os pequenos corretores estariam ao "Deus dará".

Outro problema mais corriqueiro do que se imagina é a recusa de seguros por algumas companhias, com base nas restrições ao CPF do segurado apuradas pela Serasa Experian. "Não existe critério para essa recusa. Tanto faz se o segurado tiver uma dívida de R$ 1,00 ou R$ 1 milhão, a seguradora recusará da mesma forma", lamenta. Para ele, antes da negativa, deveria haver um diálogo entre seguradora e corretor para resolver a questão. "Essa situação, que engessa o seguro, acaba empurrando o segurado para as agências de banco e prejudicando o corretor", avalia.

A falta de flexibilidade das seguradoras na aceitação de seguros diferenciados foi outro ponto levantado por Barbato. "Um seguro mais sofisticado, que fuja aos seus padrões, a companhia simplesmente recusa, restando ao segurado, também nesse caso, recorrer aos bancos", disse. Aliás, sobre os bancos, Barbato elencou em sua lista uma grave situação que incomoda a categoria. "O Banco do Brasil ainda insiste em concorrer com os corretores", diz.

Concorrência predatória

Mas, os temores do corretor não se restringem aos agentes externos à atividade. De acordo com Barbato, há "maus corretores" que alugam seu número de Susep para outras empresas. "Alguns fazem isso até por um salário mínimo", indigna-se.

A venda casada, uma das mais importantes bandeiras de lutas das entidades representativas dos corretores, também entrou na lista do palestrante. Ele comentou sobre a "concorrência predatória" que fazem as lojas de departamentos, concessionárias e outros segmentos não habilitados e tampouco especializados na venda de seguros. "A questão é difícil de resolver, segundo o próprio sindicato paulista, porque são negócios que têm corretores por trás", informa.

O microsseguros, visto por muitos como uma grande oportunidade de crescimento para o setor, pode representar um temor a mais para os corretores. Barbato não ignora a importância dessa modalidade, mas alerta que se vingar a proposta de vendê-la em bancos, pastelarias, farmácias e outros, o corretor será excluído desse processo.

A venda de seguros de automóveis por agências de veículos é outra situação que tem tirado o sono de muitos corretores. O próprio Barbato já passou por essa experiência. "Um cliente nosso achou caro o prêmio de R$ 5 mil do seguro de sua Toyota e não renovou conosco. Dias depois soube que ele havia fechado o seguro com a agência por R$ 7 mil, mas com vigência de três anos", relata. Por isso, ele acredita que, no momento, não há como os corretores concorrerem com as agências nos seguros de automóveis novos.

Entre os temores do corretor, Barbato incluiu, por fim, alguns atritos que surgem na relação desse profissional com as seguradoras. Um deles é a transferência de serviços das seguradoras aos corretores, sem a devida remuneração. "O corretor assumiu várias responsabilidades, mas não ganha nada por isso", afirma.

Para ele, a solução dos problemas poderia iniciar pela atuação da entidade estadual que representa a categoria, não fosse a dependência que esta mantém com as seguradoras. "O sindicato depende do apoio financeiro das companhias para realizar megaeventos. Mas, é aí que mora o perigo", alerta. 


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