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  Segunda-Feira, 06 de Setembro de 2010
Segurado precisa saber como funciona a regulação de sinistros, apontam especialistas reunidos em seminário sobre sinistros massificados     (APTS)

Sexta-Feira, 16 de Abril de 2010 - 11h0

Márcia Alves

Segurado precisa saber como funciona a regulação de sinistros, apontam especialistas reunidos em seminário sobre sinistros massificados, realizado pela Associação Paulista dos Técnicos de Seguros (APTS)

 

Para especialistas, quanto mais o segurado conhecer as regras do seguro, melhor será sua compreensão sobre os motivos que podem levá-lo à perda do direito de receber a indenização. Outra conclusão do seminário que discutiu os sinistros massificados nos seguros residencial e de automóvel é que o mercado precisa rever a sua forma de regulação, sobretudo em sinistros de pequeno valor.

 

por Márcia Alves

 

O Seminário "Considerações sobre Sinistros Massificados", realizado pela Associação Paulista dos Técnicos (APTS), nesta terça-feira, 13 de abril, no auditório do Sindicato das Seguradoras de São Paulo (Sindseg-SP), teve como enfoque principal dois ramos de seguros, residencial e automóvel. O diretor de Sinistros Massificados da APTS, José Roberto Macea, dividiu a coordenação do evento com Carlos Roberto De Zoppa, membro do Conselho Administrativo da entidade.

 

RESIDENCIAL

 

O diretor da Bradesco Seguros, Eduardo Menezes, observou que as seguradoras estão cada vez mais ágeis na regulação de sinistros, utilizando a Internet e o call center como meios de apoio ao segurado. Entretanto, ele considera necessário esclarecer melhor ao segurado as condições do contrato. "Seria importante que todos entendessem sobre as condições do fechamento de acordos de prejuízos e indenizações", disse.

 

Potencial do ramo

Dados de uma pesquisa apresentada pelo superintendente da Allianz Seguros, Laur Diuri, apontam que até 2016, ano das Olimpíadas no país, serão construídas mais 13,7 milhões de novas moradias, o que representará um crescimento de 2,7% ao ano. Porém, atualmente, apenas 10% das residências brasileiras possuem seguro.

 

Para alcançar todo o potencial do seguro residencial, Diuri entende que o mercado de seguros deve alterar a forma de regulação e liquidação dos sinistros. Ele conta que, na Europa, as empresas que atuam na assistência ao seguro residencial têm autonomia para regular o sinistro e pagar até mil euros em indenizações, sem envolver o departamento de regulação das seguradoras.

 

Sua sugestão para inovar nesse ramo é a prestação de serviços ao segurado, especialmente em casos de desastres naturais ou sinistros de grandes proporções. "Em regiões alagadas pela chuva, por exemplo, a seguradora pode localizar os seus clientes por meio de GPS e prestar assistência antes mesmo de receber o aviso de sinistro", propôs.

 

Inovação

A sugestão de Diuri já vem sendo praticada pela Santander Seguros, segundo o diretor José Carlos da Silva. Em um caso exemplar, ele apresentou a iniciativa da seguradora no sinistro de São Luiz do Paraitinga, município do interior paulista, que ficou completamente submerso após ser atingindo por fortes chuvas no início deste ano.

"Enviamos uma equipe para lá e prestamos toda a assistência até mesmo para aqueles que não eram nossos clientes. Como não havia o que regular, já que tudo estava destruído, procuramos nossos segurados e adiantamos parte da indenização", relatou.

 

Exemplo alemão

Numa tarde qualquer, a alemã Frau Schmidt recebe em sua casa uma visita que, sem querer, derruba café em seu tapete persa. Ela aproveita o ensejo e manda lavar o tapete, que estava mesmo um tanto sujo. A seguradora recebe a conta de 135 euros e paga, sem qualquer questionamento. O exemplo de Frau Schmidt é um dos preferidos do advogado e consultor Antonio Penteado Mendonça para mostrar quanto o seguro residencial pode ser melhorado.

 

Na Alemanha, onde mais de 90% da população possui, há décadas, o seguro de responsabilidade civil "chefe de família" - um produto ainda pouco conhecido no Brasil -, as seguradoras, segundo ele, sabem do uso incorreto do seguro, mas preferem ignorá-lo a ter de gastar mais com a regulação do sinistro. "A seguradora não é boazinha. Ela apenas sabe que isso acontece, então precifica, ou seja, embute no preço do seguro", disse.

 

 

AUTOMÓVEL

 

Desde que foi implantado no país, na década de 90, o seguro perfil em automóvel tem gerado conflitos entre segurado e seguradora. Respostas inexatas sobre fatos que poderiam influenciar na aceitação da proposta ou a omissão de informações têm causado a negativa ao pagamento de sinistro, em muitos casos. Para a advogada Angélica Carlini, seria importante esclarecer ao consumidor de seguros que o risco é mensurado de acordo com suas respostas. "O segurado não sabe, mas cada resposta sua representa um impacto no valor do prêmio", disse.  "Temos de eliminar o déficit de informação", acrescentou.

 

Reciclagem

Entre 2008 e 2009, a frota de veículos segurados aumentou de 11,3 milhões para 12,8 milhões. Mas, a sinistralidade também cresceu em 2009, período em que foram regulados 2,1 milhões de sinistros, segundo o diretor da Bradesco Seguros, Fernando Cheade. Ele destaca que esse crescimento gerou uma situação nova, que é a falta de capacidade das oficinas de reparação em atender a demanda crescente. "Esse é um ponto de gargalo que tende a aumentar", prevê.

 

Mas, esse não é o único problema gerado pelo aumento da frota de veículos. Cheade também aponta as conseqüências ambientais do descarte de veículos velhos. "Temos de pensar agora na correta destinação e reciclagem de veículos, porque no futuro teremos lixões de peças e resíduos a céu aberto", alerta.

 

Questão técnica

O diretor da Azul Seguros, Roberto Santos, trouxe ao seminário uma questão técnica que tem influenciado no resultado financeiro de muitas seguradoras. Trata-se da IBNR, sigla que em português significa reserva de sinistros ocorridos e não avisados. Ele explicou que essas reservas são calculadas pelos departamentos de contabilidade das seguradoras toda vez que um sinistro é avisado. Mensalmente, a seguradora reserva uma parte dos prêmios para compor essa reserva e replica esses valores nos meses seguintes, os quais ficam comprometidos até a liquidação do sinistro.

 

Porém, de acordo com Santos, muitas companhias estão perdendo dinheiro ao constituírem reservas acima do valor necessário. Ele aponta que essa distorção é provocada pelo comportamento de alguns técnicos que não encaminham o aviso de sinistro imediatamente à contabilidade. "Às vezes, para atingir metas, eles preferem informar o sinistro no mês seguinte, sem se dar conta do impacto que isso terá nas reservas da companhia", alerta. A má gestão da reserva, de acordo com o palestrante, também provoca distorções nos dados estatísticos, deixando a empresa mais vulnerável perante a Susep.

 

Fraude

Ao abordar "As conseqüências da crise financeira nos sinistros de automóvel" em sua palestra, o superintendente da Mapfre Seguros, Rogério Esteves Alves, disse que sua intenção era provocar a reflexão sobre o preparo do setor de seguros em lidar com determinadas situações atípicas. Segundo ele, a explosão na venda de veículos entre o final de 2008 e o início de 2009, provocou um aumento vertiginoso na sinistralidade da carteira e também no volume de fraudes, entre os meses de janeiro a março de 2009.

 

Ocorre que, especificamente naquele período, a tabela Fipe, utilizada pelo setor como referência para o pagamento de indenizações de sinistros de automóveis, estava defasada em relação ao preço de mercado dos veículos. "Algumas concessionárias colocavam faixas, avisando que os preços de venda dos automóveis estavam abaixo da tabela Fipe", recorda-se.

 

Rogério Alves concluiu que a defasagem da tabela Fipe influenciou no crescimento dos casos de perda total dos veículos e no volume de fraudes, provocando um aumento de sinistralidade na carteira. "Naquela fase, o sinistro era lucrativo para os fraudadores", observou. Ele encerrou sua apresentação alertando ao mercado para que reflita quanto ao seu preparo para lidar com situações como esta. "Precisamos aperfeiçoar os métodos de combate à fraude", disse.

 


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