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  Segunda-Feira, 06 de Setembro de 2010
Na APTS, Fontana conta como conseguiu impedir o fim da categoria de corretores     (APTS)

Sexta-Feira, 08 de Maio de 2009 - 15h21

Márcia Alves

A Palestra do Meio-Dia, realizada pela APTS em 6 de maio, contou com a participação de uma figura lendária do mercado de seguros. Aos 83 anos, 65 dos quais dedicados ao setor de seguros, José Francisco de Miranda Fontana prendeu a atenção da platéia por quase duas horas, no auditório do Sindicato das Seguradoras de São Paulo (Sindseg-SP), com os seus "causos" para lá de interessantes.

Dos muitos episódios que colecionou em sua trajetória profissional, boa parte na condição de inspetor de sinistros de IRB e depois como corretor de seguros, ele selecionou alguns para compor o livro de memórias "O Mensageiro da Esperança", lançado recentemente pela Correcta Editora. Na obra, editada pela jornalista Kelly Lubiato, Fontana conta em detalhes nada mais do que 41 episódios relacionados à regulação de sinistros, a maioria no ramo de seguro Incêndio.

Alguns casos são bens conhecidos dos profissionais que freqüentaram os cursos de formação de corretores então oferecidos da Sociedade Brasileira de Ciências do Seguro, da qual ele foi fundador e na qual também fazia questão de participar das aulas inaugurais.

Notícia bombástica

Na palestra da APTS, porém, Fontana brindou a platéia com o relato inédito de um fato ocorrido nos tempos da ditadura militar. Ele contou que em 7 de outubro de 1974, dia da posse do seu mandato como mentor do Clube dos Corretores de Seguros de São Paulo, outra das tantas entidades que ajudou a fundar, foi surpreendido por uma notícia bombástica. Segundo divulgado na imprensa à época, o então ministro da Casa Civil, Severo Gomes, havia enviado ao Congresso o Projeto de Lei 1290-A que, se aprovado, acabaria com a categoria dos corretores de seguros.

O projeto previa, entre outros, que todos os seguros com prêmios em valores abaixo de cinco salários mínimos poderiam ser realizados sem a intermediação dos corretores. Além disso, outro artigo da proposta eliminava o impedimento aos funcionários públicos e de seguradoras de atuarem como corretores de seguros. Fontana se recorda que já estava com seu discurso de posse pronto, por sinal destacando os progressos da categoria, quando soube do projeto. Imediatamente ele se reuniu com outros corretores e com presidentes de seguradoras, formando uma comissão para ir à Brasília (DF).

Proposta adulterada

Como era amigo de Severo Gomes, ele e sua comitiva foram pedir explicações diretamente ao ministro. "Perguntei a Severo Gomes: o que era aquilo?". A resposta provocou outra surpresa. "Você está enganado, não mandei essa proposta ao Congresso", disse o ministro. Para provar que estava dizendo a verdade, Severo Gomes pediu ao seu chefe de gabinete que lhe trouxesse a cópia do documento original que resultou no projeto. De fato, segundo Fontana, na proposta do ministro não constava qualquer menção à eliminação da corretagem e tampouco havia qualquer artigo liberando outras categorias para atuarem como corretores.

"Entre o Ministério da Indústria e Comércio e a Casa Civil, por onde a proposta circulou, percebi que houve a adulteração do documento". Ele conta que o ministro então telefonou ao Congresso e alertou sobre o erro e, em seguida, convocou Fontana para redigir um substitutivo ao documento. Para realizar tal missão, Fontana contou com a colaboração dos diversos membros de sua comitiva, entre os quais Roberto Barbosa, atual vice-presidente da Fenacor.

Sempre pensando no aprimoramento da categoria, Fontana incluiu no documento, entre outros, uma proposta para que a comissão dos seguros diretos fosse destinada à Funenseg. "Foi a partir daí que a Funenseg passou a ter fundos", observou. "Nosso objetivo era preparar a entidade para formar profissionais capazes e dar sustentação a eles", justificou.

Depoimentos da platéia

 

"O Fontana tem uma biografia muito rica, com muitas histórias, 'causos', além de uma vida completamente dedicada ao seguro e à corretagem. Por isso, ele é muito respeitado e amado. Também por sua dedicação como inspetor de sinistro, em que se preocupava com o cliente, numa hora difícil. Sabemos também que lutou pela classe, como o episódio envolvendo esse Projeto de Lei 1.290-A, que poderia acabar com a classe, mas que ele conseguiu reverter, descobrindo até algo que ninguém sabia, que aquilo tudo era uma farsa. Então o Dr. Fontana está de parabéns".

Fernando Simões - Sindseg-SP

 

"O Fontana é um ícone do mercado e penso que ele tem muito a ensinar. Estou no mercado há 53 anos e sempre tenho acompanhado sua carreira. Ele é um homem que sempre pensou no seguro e na sua finalidade, especialmente em relação aos direitos do segurados. Tive a oportunidade de junto com ele e com o Antonio Candido Sobrinho, praticamente regulamentar o seguro DPVAT das empresas de transportes coletivos. Isso me fez muito feliz, porque já estava há algum tempo tentando e ele me ajudou. E, até hoje funciona dessa forma".

João Urdiales Gongora - Corretor de Seguros.

 

"O Dr. Fontana dispensa comentários, sou macaco de auditório dele. Aprendi muito com ele, pois, fui seu aluno. Tenho um grande respeito e admiração por ele, diria de filho, pelo profissional que sempre foi. Ele ensinou muitas pessoas. Por isso, ele é uma pessoa para quem temos de tirar o chapéu, respeitar, admirar pelo que fez e idolatrar, como pessoa e profissional. Para mim, ele é um verdadeiro pai. Tenho muito carinho por ele e, hoje, jamais poderia deixar de estar aqui".

Osmar Bertacini - presidente do Clube de Vida em Grupo São Paulo (CVG-SP)

 

"O Fontana representa a história do mercado. Ele é um dos maiores exemplos que temos em termos de tenacidade e caráter. É muito importante tudo aquilo de bom que ele fez para o mercado. Por isso, tenho um orgulho muito grande de conhecê-lo. Para mim é um privilégio".

Cláudio Contador - Funenseg


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