Mas, para Aguiar não basta apenas criar produtos inovadores do ponto de vista técnico, já que também é preciso que sejam "vendáveis". Ele conta que, por isso, a SulAmérica criou um processo de desenvolvimento de produtos que funciona em ciclos. A captação de idéias é o primeiro e conta com o envolvimento de diversos departamentos, inclusive dos corretores de seguros.
O segundo ciclo é o planejamento, no qual é realizada uma avaliação financeira para definir o retorno que a empresa espera. Em seguida, vem a fase de implementação, na qual se parte para o desenvolvimento de sistemas, peças de comercialização, condições gerais da apólice, normas técnicas, aprovação na Susep etc.
Concluída essa etapa, começa o ciclo do treinamento, o qual Aguiar julga o mais importante, já que a falta de capacitação do distribuidor, a seu ver, pode comprometer o sucesso do produto. Na seqüência, vem o ciclo de monitoramento, em que são analisados o retorno financeiro e o desempenho no mercado. Ele disse que durante esse ciclo pode-se chegar à conclusão que o produto precisa de ajustes, optando-se pela inclusão de algum diferencial.
Para Aguiar, o desenvolvimento de produtos também precisa acompanhar a dinâmica de mercado. "Tem de ser melhorada a cada dia e ser mais rápida para responder em tempo recorde a demanda do cliente, pois, caso o contrário ele procura a concorrência", observa.
Produtos de 3ª geração
No atual momento do resseguro há excelentes oportunidades para novos negócios, acredita Ronald Kaufmann, diretor da ScorRe Life, empresa do grupo Scor Global Life, líder mundial em resseguros de vida. Agora, ele observa que o mercado está partindo para a terceira geração de produtos, em ritmo mais acelerado por causa da crise. Os produtos criados na primeira e segunda gerações eram focados em acumulação de reserva.
As estatísticas apontam que em 2050, o Brasil terá 250 milhões de habitantes, das quais 50 milhões com mais de 65 anos. Considerando a expectativa de crescimento do segmento de maior renda da população, então, na visão de Kaufmann, haverá mercado para novos produtos mais sofisticados e a necessidade de financiamento das provisões para fazer frente ao envelhecimento.
Ele informou que a Scor está lançando no país um produto de terceira geração, que atende as necessidades de uma população mais velha, que deseja mais qualidade de vida, mas que se defronta com riscos que o Estado não atende. Trata-se do"Dependência de longo prazo", um seguro de vida desenvolvido para as pessoas mais velhas, que precisam estar preparadas economicamente para atender eventuais casos de doenças ou de invalidez.
Menor dependência de TI
O que a informática tem a ver com o desenvolvimento de produtos? "Tudo", na opinião do diretor de Tecnologia da APTS e da Broker Serviços e Sistemas, Marco Antonio Damiani. Para ele, o sucesso de um produto depende do uso da tecnologia, definida já na fase de desenvolvimento, que também deve estar alinhada e sincronizada com a Internet. Isso porque os sistemas evoluíram.
O diretor da Broker afirma que essa evolução foi assimilada pelo setor de seguros. Tanto que, segundo ele, já existem ferramentas que possibilitam transferir para a área de negócios a formatação e a manutenção de produtos, sem a dependência da área de Tecnologia da Informação (TI). "Durante anos, a área de negócios viveu atrelada à área de TI. Mas, agora é diferente", diz.
Entre as ferramentas disponíveis atualmente, o diretor da Broker destaca uma que parametriza os cálculos, gerando automaticamente a visualização da documentação eletrônica e dos gráficos de cálculos. São também inovadoras, segundo ele, as ferramentas que geram os códigos de fontes da aplicação e dos componentes de cálculos DLL. Além dessas, citou os sistemas que permitem criar e gerenciar cotações em tempo real (on-line) pela Internet.
A Broker, inclusive, segundo seu diretor, criou sistemas que permitem essa desvinculação com a área de TI. Caso do BRK Web, que foi desenvolvido para os seguros coletivos de pessoas, permitindo a visualização gráfica de toda a documentação da carteira, das tabelas utilizadas e seus respectivos agravamentos e descontos, em tempo real.
Opinião da platéia
"Destaco aqui a oportunidade de reunir pessoas de diferentes áreas - seguros, resseguros e tecnologia -, para discutirem um ponto fundamental, que é estar sempre alerta ao mercado e buscando algo que atenda ao cliente. Para desenvolver é preciso focar no cliente e investir em diferentes áreas, como tecnologia, atendimento, fornecedores e parceiros".
Glória Carvalho - Marítima Seguros
"Achei muito bacana a discussão sobre inovação. É importante inovar sempre, mas sem nunca esquecer a parte de atendimento às reclamações dos clientes. Não adianta lançar novos produtos sem cuidar do atendimento ao cliente. E nisso algumas empresas ainda estão falhando".
Christina Roncarati - Editora Manuais Técnicos
"Esse foi um debate muito oportuno, que deve ser repetido sempre. Conforme o tema debatido, é importante que o desenvolvimento de produtos não descuide de todas as fases, desde a assistência até os sistemas. Achei muito importante a apresentação dos especialistas a respeito do que não pode ser feito na área de desenvolvimento de produtos".
Gilson Capuso Leitão - Broker Serviços e Sistemas